Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Outubro 09 2009

BENDITA SEJAS
 
Enquanto a noite chega de mansinho
e dá um rubro tom ao horizonte,
eu olho com ternura e com carinho
        a tua terna fronte.
 
Fronte que um dia, eu pensei beijar,
enquanto agradecia aos altos Céus
ter-me dado a graça de adorar
        uns olhos como os teus.
 
Teus olhos têm uma paz tão santa,
que me sinto elevado ao Paraíso...
Mas no teu rosto, algo mais me encanta:
        o teu doce sorriso.
 
Sorriso tão suave e carinhoso
que ao vê-lo, a minha alma se enebria.
Nele revejo o céu tão luminoso,
        daquele fim de dia.
 
Dia feliz que em vão tentei deter,
na sua louca e cruel caminhada...
Procurei, assim, junto de mim reter,
        tua presença amada.
 
Presença que eu procuro em cada dia
sempre a meu lado, ter a palpitar.
Tu és a Estrela d'Alva que alumia
        o meu triste penar.
 
Triste penar duma alma carinhosa
que busca em vão, um pouco de carinho,
para quem a vida não foi caridosa
        em toda o meu caminho.
 
Caminho sem Esperança e sem Amor,
não sei porquê, tão cheio de amarguras...
Terei nascido para viver na dor,
        entre cruéis torturas?
 
Torturas que marcaram na minha alma,
crueis estigmas, fruto de tormentos...
Mas tua graça tem o dom que acalma,
        a dor e os sofrimentos.
 
Sofrimentos dum ser amargurado,
a quem tu deste um pouco de afeição.
Bendita sejas pois, sonho encantado,
        bendita aparição.
 
Que Deus te ajude e guie, nesta hora,
agora e sempre, pela vida fora.
 
                                 Carlos Teles Gomes

publicado por appoetas às 01:48

Outubro 09 2009

CANTEIRO VERDEJANTE
 
Era um simples canteiro acidentado
cheio de fragas, serras, arvoredos,
por outros bem maiores rodeado,
com poucos habitantes, mas sem medo.
 
Foi simples canteiro verdejante,
a golpes de montante dilatado.
Canteiro-Anão que se tornou gigante.
Nascia o Portugal tão desejado,
 
E terra a terra foram conquistando
novos canteiros que o país ganhou,
nada temendo, tudo enfrentando,
até que o mar um dia os limitou.
 
Mas esse verde mar desconhecido
que as lendas povoavam de horrores,
por naus e caravelas foi vencido,
qu'esses Homens não sentiam temores.
 
Novos canteiros foram pois surgindo,
em forma de ilhas, terras, continentes...
Esses guerreiros foram erigindo
império colonial bem imponente.
 
E o simples canteiro acidentado
pelo mundo se viu a combater,
porque cada canteiro conquistado
país independente queria ser.
 
E a força da razão dos oprimidos
desmembrou o império colonial,
voltando ao seu país os que vencidos
só tinham uma pátria: Portugal.
 
Mas esse povo teve de vencer
duros combates, rumo à Liberdade,
achando enfim que é possível viver
com Trabalho, Amor, Fraternidade.
 
E esse simples canteiro acidentado
ao mundo inteiro deu esta lição:
"Só é feliz quem sabe ser amado,
só vive em Paz quem ama o seu irmão!"
 
                                 Carlos Teles Gomes

publicado por appoetas às 01:46

Outubro 09 2009

RECADO A UM AMIGO
 
Não queiras sofrer mais na tua vida
Lembrando os teus sonhos mais queridos...
Tenta esquecer cada ilusão perdida...
Procura não lembrar os tempos idos.
 
Tu sabes bem que a hora que vivemos
Não se detém no seu louco correr...
Porquê sofrer por algo que perdemos,
Se tanto há ainda para viver?...
 
Aceita a tua cruz, mas sem rancor.
Segue o teu rumo, sem deixar que a Dor
Domine o teu viver, junto de nós...
 
Tem pena sim, dos pobres sem abrigo,
Daqueles que não tendo um só Amigo,
Vivem e sofrem, estando sempre sós.
 
                                        Carlos Teles Gomes

 

publicado por appoetas às 01:44

Outubro 09 2009

KISSANGE ENFEITIÇADO
 
Na vasta savana ardente
Agreste e ensolarada,
Ouve-se um som dolente,
Que toca a alma da gente,
Que o ouve, amargurada.
Fico ouvindo a melodia
Daquele Kissange triste,
E recordo a alegria,
Que outrora ele transmitia,
E que hoje já não existe.
Kissange do meu passado
Porque soluças assim?
Tu pareces alquebrado,
Mortiço, desanimado,
Como quem chega ao seu fim.
Vamos Kissange vibrante,
Volta a ter tua alegria!
Sê de novo a voz cantante
Que palpita radiante
Em ondas de melodia!
Vamos lá, ó tocador,
Vence esse teu penar,
E transforma a tua dor,
Em alegria e amor,
Faz o Kissange vibrar.
Talvez assim volte a ver
A tua gente a bailar,
Os pés no chão a bater,
Os corpos a estremecer,
Num prazer que não tem par.
Marca um ritmo sincopado,
Saltitante, sem parar.
Kissange enfeitiçado,
Quem te ouviu no seu passado,
Não mais te pode olvidar.
 
Kissange - Instrumento musical africano, da família dos lamelicórdios.
 
                                          Carlos Teles Gomes 
 

publicado por appoetas às 01:42

Outubro 09 2009

 DESALENTO
 
Um certo dia quis, por desventura,
Sonhar quimeras mil e ser feliz.
Mas acordei num mundo de amargura,
Sem nada ter de tudo quanto quis.
 
Porque será assim a minha vida?
Porque há-de haver só dor no meu viver?
Porquê seguir-se a cada velha ferida,
Uma outra ferida, que mais faz doer?
 
Não sei qual é meu fado ou meu destino.
Procuro em vão domar meu desatino
E ser feliz... ou só em paz viver.
 
Mas, dia a dia, o meu sofrer aumenta
E a minha alma vive na tormenta,
Que só terá seu fim, quando eu morrer.
 
                                        Carlos Teles Gomes

publicado por appoetas às 01:39

Outubro 09 2009

POETA MILITANTE
 
Poeta Militante eu queria ser,
Sem sombra de fraqueza ou desamor,
Paladino do Sonho e do Dever,
Alheio ao meu sofrer, à minha dor.
Poeta Militante até morrer.
 
Poeta Militante da beleza,
da Justiça que nós em vão buscamos.
Ser forte, audaz, sem sombra de fraqueza,
Tornando realidade o que sonhamos.
Poeta Militante e Fortaleza.
 
Poeta Militante sem pavor,
Sem medo de lutar, sem desistir,
A procurar ao Mundo dar mais cor,
Confiante na Paz e do porvir.
Poeta militante, sem favor.
 
Ser para todos leal e verdadeiro,
Vendo em cada ser sempre um irmão,
Levando a harmonia ao mundo inteiro,
Para que ele viva segundo o coração.
No caminho da Paz, ser Timoneiro.
 
A Deus e às musas peço com fervor
Que possa alcançar esse meu fim,
Podendo dizer um dia, com ardor:
Poeta Militante, eu sou enfim,
Da Justiça, da Paz e do Amor.
 
                                        Carlos Teles Gomes

publicado por appoetas às 01:37

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